Relações e a tempestade

No fim de semana passado, numa aula de formação de Analistas, focámos neste tema tão fascinante – Relações.

E quando refiro a palavra Relação, falo de qualquer tipo de conexão entre dois seres: pai e filho, irmãos, romance, amigos, sócios, etc, onde os desafios e potenciais são imensos e extremamente reveladores da natureza humana.

Estou a ler o quarto volume do romance A Amiga Genial da autora que assina com o nome Elena Ferrante, que retrata relações humanas complexas numa Itália do pós guerra. Deixo aqui um parágrafo para reflexão e começo por fazer o que a autora faz no início de cada volume, que é identificar as personagens.

Lenù: é a narradora, escritora, mãe, apaixonada por Nino
Lila: a melhor amiga de Lenù
Nino: o amante (não o pai das suas filhas)

“Perante a ideia de o prejudicar e de nunca mais o ver desfolhava-me dolorosamente, a mulher livre culta perdia as pétalas, separava-se da mulher-mãe, e a mulher-mãe mantinhas as distâncias da mulher-amante, e a mulher-amante da galdéria enfurecida, e todas elas pareciam que iam começar a esvoaçar em diferentes direções. Quanto mais me aproximava de Milão, mais me apercebia de que, depois de pôr Lila de parte, não era capaz de ser compacta a não ser tomando Nino como modelo. Era incapaz de ser eu e o modelo de mim mesma. Sem ele, não tinha um núcleo a partir do qual me expandisse fora do bairro e pelo mundo, era um montão de lixo.”

Em cada relação entre dois seres há uma riqueza de potencial de descoberta incrível, mas também a possibilidade duma viagem para o abismo.

Nas sessões de relação o que mais realço é a importância do trabalho individual para cada um ser o que realmente nasceu para ser, em respeito ao outro, porque só assim poderá haver crescimento, amor, leveza. Tentar salvar, resolver uma relação sem esta consciência individual não será possível e poderá ser ainda mais desgastante e sofredor. É fascinante o quanto podemos aprender a ser com o outro. Mas isto exige responsabilidade individual.

Muitas vezes me perguntam porque ainda não escrevi um livro sobre Human Design e agora respondo que o que me fascina no meu trabalho com o Human Design é cada ser único, e por isso se chama a Ciência da Diferenciação, logo não conseguiria escreve Um Livro, porque teria de escrever um livro por cada ser que me procura e permite ver a evoluir, florescer, cada dia, cada ano, mais consciente de si mesmo e do seu papel no todo, cada história única. Porque isso é o Human Design, um livro por cada Ser.

Como podem compreender, já não teria tempo útil nesta vida para escrever tantos livros. 😊

E por isso a minha alegria poder ver, sentir, sessão a sessão, aula a aula, cada livro a ser escrito pelo próprio, sendo o autor da sua própria vida, sem ficção, mas em verdade.

E também por isso sou grata porque, como ser abstrato que sou, adoro ouvir, ler, observar cada história, e mesmo assim, antes de dormir leio estes romances que me inspiram, e muitas vezes neles revejo tantas histórias reais e me relembram que mesmo sendo todos diferentes e únicos, no fundo todos vivenciamos emoções, sentimentos, desejos, sonhos e que devemos ter compaixão por nós mesmo e pelos outros que estão a escrever o livro da sua vida.

Se aproveitarmos cada relação da nossa vida como uma oportunidade de experienciar, sentir, aprender, amar, tudo se torna mais leve e cada união poderá ser cada vez mais “amorosa”.

A foto deste texto é simbólica. Pintei este “jardim” para celebrar a chegada da primavera. Pintar a partir da alma (como podem ver não tenho grandes dotes artísticos de pintura 😊), em contemplação, faz como que mesmo no meio desta “tempestade”, a luz existe e é importante relembrar que o tempo fora não deve condicionar a luz e a cor que está sempre dentro.

Com amor, vos desejo uma bonita primavera,
Idalina

Morada

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