Ilusão, palavra que há muito que me fascina pelo desejo de descobrir o que está “para além do véu”, além daquilo que os sentidos são capazes de percecionar.
Ao ler o seu significado no dicionário relembrei o quanto podemos aprender com a profundidade da frequência das palavras que usamos no dia a dia:
“Ilusão refere-se à perceção, interpretação ou crença distorcida da realidade. Ocorre quando os sentidos ou a mente confundem a aparência com o que é verdadeiro, criando imagens falsas, fantasias ou expectativas que não se alinham com os factos”.
Bastou-me ler esta frase para me relembrar o quão iludido o ser humano tem vivido, em geral, nos últimos tempos, pela distorção dos sentidos e da mente, e como está nas nossas “mãos”, fazer a escolha, ou escolhas, de tirar o véu. E isto é um trabalho diário, minuto a minuto.
Na tradição hindu e budista a palavra Maya significa ilusão, aparência ou véu da realidade percebida, sendo um termo usado em várias tradições espirituais e filosóficas para descrever o “mundo da ilusão” ou a realidade percebida através da mente e dos sentidos.
No Human Design, Ra Uru Hu falava frequentemente da experiência humana como parte da Maya, ou seja, o palco da vida onde a consciência se movimenta e o sistema Maia Mechanics (software de criação dos mapas) mostra como a mecânica opera no corpo e na consciência através dos tipos, centros, canais, etc.
Estas reflexões levaram-me a reler um dos livros do Richard Bach com este mesmo nome: ILUSÕES.
Há neste livro muita sabedoria e assuntos para refletir sobre a natureza humana, e recomendo ler com calma para saborear, mas o tema central é a consciência que a realidade é moldada pelas nossas crenças e que os limites humanos são em grande parte ilusões que aceitamos como verdades.
E que as ilusões criadas pela mente humana e distorção dos sentidos dificultam a mudança no ser humano.
O ex messias desistiu de ser messias pela dificuldade dos humanos escolherem a ilusão dos sentidos e não fazerem a verdadeira mudança. E como cada pessoa escolhe a própria experiência, nas palavras do ex messias, não podemos na verdade mudar ninguém. Podemos inspirar ou ensinar, mas não controlar o despertar do outro.
E na verdade poucos seres são livres e fazem a mudança porque fugiram à responsabilidade individual das suas escolhas, como tantas vezes já abordei nos textos anteriores.
Estamos a meio deste ano tão desafiante (recomendo reler os textos enviados este ano que estão no Blog) e sinto que tem sido evidente como a mudança da forma de pensar, decidir, criar, comunicar, amar, tem de ser adaptada à mudança de frequência. A frase que mais tenho ouvido é que as pessoas estão perdidas, confusas, com medo de tudo o que está a acontecer no mundo.
E este mesmo livro traz também uma visão sobre tudo isto, e muito atual:
– grande parte do sofrimento vem da identificação com os pensamentos e os condicionamentos recebidos pela educação e sociedade
– os medos e limitações são quase sempre construções mentais aceites como verdade
– amor só é real quando cada ser vive em autenticidade, e
– o ter, o apego, limitam a liberdade consciente
E está completamente em sintonia com a mensagem do Human Design: que o mundo é um caderno de exercícios, estamos todos apenas a viver uma experiência humana como seres espirituais, e viver de acordo com a nossa mecânica permite-nos alinhar com a nossa consciência, percecionado de forma mais nítida, sem ilusões, véus, “libertando” os medos e criando uma nova realidade, ou dizendo de outra forma, vivendo a “ilusão” correta da separação na nossa individualidade, mas sendo quem nascemos para ser e estar no nosso caminho único, em cooperação com o todo.
Assim, quando mudamos a “forma de ver”, mudamos a experiência do mundo.
E agora convido a ouvir esta música que poderá inspirar a SER, aprofundar o ouvir, porque “o essencial é invisível aos olhos” (Principezinho).
Refrão da música ILUSÕES
“Mais do que ter,
Mais do que ver
Eu volto ao que fui
Antes de me perder
Mais do que ter
Mais do que ver
Eu cuido de mim
Para não me perder”
Com amor e gratidão, vos desejo um bom verão,
Idalina
