A alma e a borboleta

O verão está no início.

Adoro o verão, tanto quanto adoro todas as outras estações. E isto não foi sempre assim, porque durante muitos anos detestei o inverno (o casulo), e com muita alegria partilho que hoje consigo vivenciar a saborear a maravilha, o encanto de todas as estações. E o que tem isto a ver com a alma e a borboleta?

Estou a ler (finalmente ganhei coragem para mergulhar nas quase 900 páginas deste romance) o livro 4321 do agora já noutro plano, que não no nosso mundo físico, Paul Auster.

O autor demorou 7 anos a escrever este livro, um ciclo de renovação celular. Tudo na vida é cíclico e fascina-me aprender com os ciclos da natureza, da vida, da humanidade.

E agora de volta ao tema desta carta, vou transcrever integralmente um parágrafo do livro 4321 em que a personagem está a falar da história de Cupido e Psique:

“A palavra Psique significa duas coisas em grego, disse a tia. Duas coisas muito diferentes, mas interessantes. Borboleta e alma. Mas se pensarmos bem nisso, borboleta e alma não são assim tão diferentes, afinal, ou são? Uma borboleta  começa como uma lagarta, uma coisa feia, confinada à terra, rastejante, e então um dia a lagarta constrói um casulo e passado um certo tempo o casulo abre-se e sai a borboleta, a criatura mais bela do mundo. É o que acontece às almas também, Archie. Lutam nas profundezas da escuridão e da ignorância, passam por provações e infortúnios, e pouco a pouco são purificadas por esses tormentos, fortalecidas pelas coisas difíceis que lhes acontecem, e um dia, se a alma em causa for uma alma valorosa, irá fugir do seu casulo e voar pelo ar como uma magnífica borboleta”

E como sinto que todos podemos ser almas valorosas e depende apenas da escolha/escolhas de cada um em cada momento, ciclo da sua vida, há sempre o potencial de sair do casulo como uma borboleta.

Na última aula de PTL1 abordámos temas muito profundos e foram várias as borboletas que saíram a voar em direção ao rio e ao mar!

Entre quem frequentou os Workshops Viver o Teu Ser este ano e o ABC do Rave em maio passado, observei vários seres a começarem a criar os seus casulos, e que alegria senti e sinto a cada mensagem e partilha que recebo.

Nos últimos anos, e mais do que nunca, sinto a entrega verdadeira a Ser quem nascemos para ser, não com base no medo, na ambição, na sobrevivência, no poder, na competição, mas sim com base na verdade, cooperação e amor.

Nada acontece porque simplesmente queremos que seja, por vezes  de forma caprichosa, mas está sim alinhado com a nossa frequência verdadeira individual, servindo o todo, não sendo casualidades ou acidentes, mas num fluxo universal maior e que o nosso entendimento mental não alcança.

Sei que muito há ainda a fazer e que todos nós, todos os dias, podemos contribuir para esta transformação, e por isso a dedicação a formar Analistas de Human Design e guias/orientadores do Workshop Viver o Teu Ser.

Este Workshop é um fim de semana acelerador da integração do manual de instruções que á dado na Análise Inicial, e que mais uma vez, recomendo. Obrigada a todos que têm mostrado o seu interesse em fazer ainda este ano, e com alegria informo que temos várias datas ainda este ano e início do próximo ano, em várias localidades, e que em breve serão anunciadas.

Todos caminhamos em direção ao amor próprio, o único que nos permite conectar com os outros em união, e só nos conhecendo verdadeiramente e nos permitindo passar pelo processo com paciência, entrega e conscientes do nosso impacto nos outros, vemos que nada fora de nós nos pode dar o que achamos que precisamos, porque tal só traz ansiedade e instabilidade.

Apesar de ser verão, estação de estar ao ar livre, conviver e usufruir da vida, relembro a importância do silêncio, da contemplação da natureza, do mergulho integral no mar, da comida saudável, do sorriso verdadeiro e da dedicação a seja o que for que nos traz à base da nossa própria essência e amor – do casulo para a borboleta.

Com amor,
Idalina Fernandes